01 outubro, 2005

Chegada em Floripa

Na rodoviaria Jon e o professssssor Agennnnnor foram nos buscar, altamente preparados para enfrentar o engarrafamento da hora do rush ( chegamos as 17:30 pm ), com uma bolsa de gelo com garrafas de cerveja para dar as boas vindas ao Gui , e comemorarmos nosso encontro com Lucas aos 8 meses de vida e praia. Aliás, dá-lhe cerveja para enfrentar o trânsito de Florianópolis, parece que os paulistas que aqui vem chegando aos montes importaram a moda no mais luxuoso estilo Radial Leste as 18hs durante uma bela tempestade de verão. UAAAAAALAAAAA!!! A cidade também vem enfrentando com dificuldade a especulação imobiliária, com o melhor (ou pior) exemplo sendo o do Campeche Norte, ou do chamado Novo Campeche. Num lugar que há poucos anos brilhava de tanto verde agora só se veem casas de veraneio e prédios de pequeno porte. Nada de crianças nas ruas, nem velhinhos em seus andares despreocupados, nem carros passando, apenas o latido dos cachorros "anti-sociais" que ficam para cuidar das casas abandonadas.
Logo após nossa chegada à cidade, fomos avisados pela Suzana (Maringoni) que ela e Jorge (Timmermann) estariam no dia seguinte na UFSC onde estava acontecendo a semana de arquitetura, e onde Vitor Lotufo (pai dos amigos caminhada Tomé e Cilinha) estava construindo uma parabolóide hiperbólica junto aos alunos e professores, numa estrutura de madeira aparafusada. Pessoalmente gosto muito do trabalho do Vitor (vide cantina Matterello em São Paulo, no melhor estilo de Gaudi), e a oportunidade de fazer uma atividade prática com ele e de encontrar Jorge e Suzana foi perfeita.

Parabolóide Hiperbólica por Vitor Lotufo e alunos da UFSC

Saímos de lá com o casal Su&Jojo para buscar o Itamar ( Sete Lombas ) na rodoviária e seguirmos para casa deles onde iria acontecer a reunião da Rede Permear, para discutirem sua participação no congresso de agroecologia. Para nós foi também mais uma oportunidade de conhecer cara-a-cara, ou melhor, coração-a-coração cada um deles, e ouvindo um pouco mais sobre seus anseios para a apresentação, entender de fato que o que os move é o desejo de levar adiante uma visão da permacultura que jamais pode ser desvinculada de seus princípios éticos. Colírio para os olhos e para os ouvidos!!!

Foto do primeiro encontro com os novos amigos da Rede Permear

Estavam presentes Jorge & Suzana, Mariani & Bel, Simone, Jorge André, e os já amigos Itamar e Marcos Marques. No final da reunião "nos convidamos" e fomos convidados por Jorge André a conhecer seu trabalho, o que aceitamos de cara.
Vargem grande, norte da ilha, comunidade do Daime, Nova Paz. No alto do morro, muito verde, quedas d'agua, pássaros de todas as cores e Jorge André em sua incrível disciplina de trabalho diário e ininterrupto. Há dois anos ele fez surgir em sua terra, uma casa, uma inigualável mandala em terraço (construída durante 1 ano de trabalho ininterrupto), canais de infiltração e de condução para açudes, e canteiros elevados por todas as partes, sozinho.

Mandala em terraço quando ainda em construção (com 8m de diâmetro)

Acampamos em frente a sua casa e todos os dias acordávamos com o som de sua flauta tranversal, com a linda música da queda d´agua e com o cheirinho do chapati de farinha de milho. Com todos os terraços e com a mandala pronta só nos restava ajudá-lo a dar um toque de vida: limpamos canteiros, plantamos por todos os lados convivendo com Jorge e Dodo ( filho do Jorge ) em uma rotina de cooperação e admiração muito forte e bonita. Foram momentos de muitos debates, de boas risadas, de questionamentos e de instrospecção, que nos ajudaram a clarear um pouco as nossas experiências nessa caminhada, e a de apreciar toda a dedicação de Jorge em suas andanças também.
Na comunidade conhecemos ainda Lalinha e César, ela cuida sozinha do viveiro da comunidade, ele faz trabalhos de reciclagem com madeiras com a arte da marchetaria. Trocamos ideias, sorrisos, contatos.... De lá Suzana nos buscou para conhecermos Yvy Porã , e lá fomos nós.....