08 outubro, 2005

Terra boa de Yvy Porã

Yvy Porã, ou Terra Sem Males segundo a visão cosmológica Guarani, fica em São Pedro de Alcântara, numa área de 89 ha. Com uma casa construida em 1929, e que os amigos Jorge & Suzana, Mariani & Bel, e Zé & Edla, mais o parceiro Jorge André, deram "um toque" para servir como base à grande família no período inicial de observação e compreensão dos padrões naturais locais, começa agora a ser pensada dentro de um "desenho" permacultural.

Suzana & Jorge em frente à casa original, construída em 1929

A água usada na casa vem de um caxambu que fica numa parte da mata em área muito argilosa. O tema água por si só já suscita uma série de discussões, mas em Yvy Porã, o assunto é digno de discussões e risadas. A lenda que corria na cidade após a compra do terreno, era que "uns loucos" haviam comprado "aquela terra sem água". O fato é que somente uma nascente abastece a casa, e em altura e volume insuficiente para abastecer as "necessidades", segundo a visão dos moradores da região. Para permacultores no entanto, o que vimos é uma abundância de possibilidades. Em seu "desenho" atual eles incorporaram chinampas, açudes, banhados, e a utilização de rodas d´agua e turbinas hidráulicas, um paraíso aquacultural em São Pedro de Alcântara!
A evolução da terra por sua vez também começa a despertar o interesse do povo local. Como é de praxe em quase todos os lugares que passamos nas serras gaúcha e catarinense, o gado sempre anda a solta e povoando as mais inclinadas encostas, o que além de extremamente improdutivo (queima de calorias morro acima e abaixo gado evita sua engorda e o torna musculoso e com "carne dura") causa ainda uma enorme degradação no solo. Para os antigos donos do local, a prática também era mandatória.

Erosão e degradação do solo após décadas de pastoreio

Erosão, perda de fertilidade e assoreamento dos córregos locais - resultado do pastoreio em encostas

Após essa temporada de "descanso" da terra no entanto o que se vê são gramíneas nativas que começam a recompor o solo, e de quebra a despertar o olhar dos vizinhos, cujo gado continua com sua dose extra de pasto pobre em vida e nutrientes. As mais de 400 árvores plantadas ajudam a devagar ir mudando o cenário, com espécies frutíferas, leguminosas variadas, de adubação verde, medicinais, e de outros fins; a espiral de ervas repleta de aromas diversos, a horta com grão de bico e açafrão, fornece folhas e abóboras, e em breve tudo o mais que foi plantado e que ajudamos a plantar. No dia que estivemos trabalhando, colhendo e replantando açafrão da terra, e fazendo panelas e plantando frutíferas nativas, Mariane e Bel sozinhos plantaram 70 mudas de araucária, nada mal para uma manhã de trabalho!

Uma das soluções que mais chamaram nossa atenção foi uma aula de permacultura em um só elemento. Ao invés de construirem o que já consideramos o "clássico (caro, e trabalhoso) banheiro seco", eles decidiram montar um banheiro seco móvel. Construíram um "teepee" (ou tipi), em cujo interior colocam um assento posicionado sobre um buraco de cerca de 1m de profundidade. Ao final do uso adicionam serragem, e ao encher o buraco, mudam o banheiro de lugar e plantam uma frutífera. Simples, rápido, prático, eficiente!

Kaylo e Suzana na chegada ao sítio com um lindo exemplar de Amanita Muscaria

Com a clareza, a paciência e a sabedoria que só o tempo dá, fica a certeza de que todos os futuros trabalhos desenvolvidos pela linda família de Yvy Porã acontecerão em plena integração com o lugar e a Terra.

1 Comments:

At 4:36 PM, Blogger Suzana Maringoni said...

Ei, meninos!
que gostoso é ler a leitura que outros fazem do espaço que vamos criando...
Foi especial tê-los por aqui, e vivenciar este tempo juntos...
Yvy vai assim se fazendo, com as plantas que cada coração que passa por ali vai deixando!
E nosso cogumelo com cara de Smurfs vai fazendo história...
Bons ventos vos guiem!
E logo a gente se vê!
Beijos
Suzana

 

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